Ex-Designer da BMW Transforma o M5 Touring em uma Obra de Arte sobre Rodas
O BMW M5 Touring já é, por si só, um dos automóveis mais impressionantes lançados nos últimos anos. Uma perua esportiva com mais de 700 cavalos, tração integral e desempenho de superesportivo raramente se vê nas estradas — e muito menos no mercado brasileiro. Mas e se esse carro extraordinário pudesse ser ainda mais elegante? Foi exatamente essa a proposta de um ex-designer da própria BMW, que decidiu reimaginar o visual da versão Touring com um olhar refinado, menos agressivo e mais atemporal.
O Projeto: Quando o Conhecimento Interno Vira Arte
O designer em questão é Reman Doost, profissional que acumulou anos de experiência dentro dos estúdios da BMW antes de partir para projetos independentes. Com um portfólio que reflete a linguagem visual da marca bávara por dentro, Doost criou uma série de renders digitais que revisitam o M5 Touring G61, modelo apresentado oficialmente em 2024, propondo alterações que, segundo ele, buscam equilibrar a musculatura esportiva com a sofisticação clássica que sempre definiu a identidade da marca.
No projeto, as modificações mais evidentes passam pela dianteira do veículo. As grades duplas rins — elemento mais polêmico da identidade visual recente da BMW — foram redesenhadas para parecerem menos imponentes e mais integradas à carroceria. O resultado é uma frente mais limpa, com linhas que fluem com mais naturalidade até os para-lamas alargados, herdados do pacote M.
Detalhes que Fazem a Diferença
Entre as mudanças propostas por Doost, destacam-se também os faróis com assinaturas luminosas remodeladas, que ganham um traçado mais fino e menos dramático. Na lateral, a proposta mantém as saídas de ar funcionais características dos modelos M, mas com acabamentos que imitam o alumínio escovado em vez do visual carbono-preto tão presente nas versões de série.
A traseira, uma das partes mais elogiadas do M5 Touring original, recebe ajustes sutis: o difusor traseiro é levemente suavizado, e as quatro saídas de escapamento ganham um acabamento polido que remete aos modelos M das décadas de 1990 e 2000 — uma clara homenagem ao passado glorioso da divisão esportiva da marca.
A paleta de cores escolhida para os renders também comunica a intenção do projeto. Em vez dos tons de Frozen Black ou Sao Paulo Yellow frequentemente associados ao universo M, Doost opta por um azul metálico profundo, reminiscente do clássico Avus Blue, e por um branco mineral que evidencia cada superfície trabalhada da carroceria.
O M5 Touring no Contexto Brasileiro
No Brasil, o BMW M5 Touring ainda não tem confirmação oficial de comercialização. A BMW Brasil, que opera com uma das redes de concessionárias premium mais robustas do país, tende a priorizar as versões sedan em lançamentos de modelos M de alto desempenho — até porque a cultura da perua esportiva ainda é tímida por aqui, diferente da Europa, onde o segmento tem fãs fervorosos.
O M5 Touring de série é equipado com um motor V8 biturbo de 4.4 litros que, em conjunto com um sistema híbrido mild, entrega impressionantes 727 cavalos e 1.000 Nm de torque. O resultado é um 0 a 100 km/h em apenas 3,5 segundos — números que colocam a perua alemã na mesma prateleira de desempenho de muitos superesportivos. Quando (e se) chegar ao Brasil, o preço estimado deve superar os R$ 1,5 milhão, considerando as altas alíquotas de importação e os custos de frete e seguro.
Para efeito de comparação, o atual BMW M5 sedan já é vendido no Brasil por valores acima de R$ 1,2 milhão. A versão Touring, com sua carroceria mais ampla e processo logístico mais complexo, certamente chegaria com um acréscimo significativo no preço final ao consumidor brasileiro.
A Elegância como Contraponto à Agressividade
O trabalho de Doost levanta uma discussão legítima dentro do universo automotivo: até que ponto um carro de alto desempenho precisa gritar visualmente o que é? Nas últimas décadas, a tendência das montadoras — especialmente da BMW com seus modelos M — foi aumentar progressivamente a presença estética, com grades maiores, difusores mais radicais e aerodinâmica ostensiva.
A proposta do ex-designer inverte essa lógica ao sugerir que um carro com 700 cavalos não precisa parecer um personagem de videogame para ser levado a sério. Pelo contrário, a contenção visual pode ser uma forma de sofisticação ainda mais poderosa — um carro que impressiona pela performance, mas que não abre mão da elegância nas ruas da cidade.
Essa filosofia já foi encarnada por grandes clássicos do próprio portfólio BMW, como o E39 M5, eleito por muitos entusiastas como o mais bonito de toda a linhagem. Linhas sóbrias, proporções equilibradas e ausência de exageros que, décadas depois, ainda fazem os olhos piscarem quando o carro aparece no retrovisor.
Repercussão na Comunidade Automotiva
Os renders de Doost rapidamente ganharam atenção nas redes sociais e em fóruns especializados mundo afora. Canais automotivos no YouTube e perfis de nicho no Instagram compartilharam o projeto amplamente, gerando debates acalorados sobre a direção de design que a BMW deveria seguir nos próximos anos.
Parte da comunidade elogiou a abordagem mais refinada, argumentando que a BMW perdeu parte de seu charme ao adotar uma linguagem visual cada vez mais exuberante. Outros, porém, defendem que o DNA agressivo dos modelos M contemporâneos é parte essencial de sua identidade e apelo comercial — e que suavizá-lo seria um passo atrás em termos de posicionamento de mercado.
O fato é que o debate gerado pelo projeto evidencia algo importante: a BMW M GmbH caminha sobre uma linha tênue entre tradição e modernidade, e cada escolha de design carrega peso emocional para milhões de fãs ao redor do mundo.
O Futuro do Design M
A BMW anunciou recentemente que está revisando alguns elementos de seu vocabulário visual, especialmente após feedbacks mistos sobre o tamanho das grades nos modelos mais recentes. O diretor de design da marca, Adrian van Hooydonk, indicou que a próxima geração de veículos deve apresentar proporções mais equilibradas, sem abrir mão da identidade distintiva que torna um BMW reconhecível à distância.
Nesse contexto, o exercício criativo de Doost funciona quase como um teste de conceito espontâneo — uma forma de o mercado expressar seus desejos antes mesmo que os executivos da empresa os formalizem em uma nova diretriz de design.
No fim das contas, o M5 Touring reimaginado pelo ex-designer da BMW é mais do que uma série de imagens bonitas na internet. É um manifesto visual sobre o que muitos apaixonados por automóveis acreditam ser o caminho ideal para um dos carros mais fascinantes da atualidade: manter toda a brutalidade mecânica debaixo do capô, mas vestir essa potência com a elegância digna de uma obra de arte sobre quatro rodas. Se a BMW vai ouvir esse recado, só o tempo — e as próximas gerações do M5 — dirão.




